Autocriação

Entende-se que a arte é uma das formas mais ricas da expressão humana. Porém, o criar artístico, principalmente em grupo e dentro de uma proposta bem fundamentada, como a aqui apresentada, muito mais do que apenas uma possibilidade de expressão, é o caminho mesmo de desenvolvimento de  uma série de capacidades humanas. Dentre essas capacidades, o autoconhecimento, e aquelas ligadas às  “novas inteligências” (emocional, social e espiritual). Essas capacidades, além de estarem sendo cada vez mais necessárias e demandadas nas sociedades ocidentais, colocam em outra perspectiva os chamados “limites” ou “problemas” neurológicos, psicológicos e sociais de cada um de nós, tão presentes nesses contextos. Importa frisar que ao criarmos artisticamente, nos deparamos com tantas questões que, ao termos que nos posicionar diante delas, estamos a cada momento criando a nós mesmos… é a autocriação. Nós mesmos… as maiores obras de arte que conhecemos.

A metodologia da autocriação se fundamenta em conhecimentos do funcionamento humano neurológico, psicológico e social, procurando focar de maneira ampla, através de vivências artísticas, os processos de:

  • Cognição (aprendizagem/cultura)
  • Movimento (físico, emocional e psicológico)
  • Imaginação (força da representação)
  • Interação (qualidade na relação com o outro)


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“O futuro pertence a um tipo muito diferente de pessoa cuja mente é totalmente diversa – criadores em geral e pessoas empáticas, leitores de padrões e produtores de sentido. Essas pessoas – artistas, inventores, designers, contadores de histórias, profissionais e voluntários das áreas social, espiritual e de saúde e pensadores sistêmicos – colherão as melhores recompensas proporcionadas pela sociedade e dividirão suas maiores alegrias. (…) É por isso que ser high tech já não basta. Teremos que complementar nossas bem desenvolvidas habilidades high tech com aptidões que eu chamo de high concept e high touch. (…) high concept é a capacidade de criar beleza artística e emocional, de perceber padrões e oportunidades, de conceber narrativas interessantes e de combinar idéias aparentemente desconexas para criar algo novo. High touch é a capacidade de criar laços de empatia, de compreender as sutilezas das interações humanas, de encontrar alegria interior e suscitá-la nos outros e de enxergar além da superfície na busca de propósito e sentido.” (Pink, 2008, p.1, 48).

“Life isn’t about finding yourself. Life is about creating yourself”. Bernard Shaw (1856 -1950)

Não se trabalha aqui com o conceito de inclusão (dos doentes, dos que tem problemas ou disfunções), porque se entende que todas as pessoas tem características próprias e diferentes entre si (não defeitos e qualidades, ou saúde e doença), apenas características, e que é nas diferenças individuais que encontramos a maior força humana criativa e construtiva para se lidar com os desafios e demandas da vida… o reconhecimento de si e do outro dentro da diversidade. Nessa abordagem não há excluidos nem o que se incluir.

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